60. Lua Minguante...60
Há tanto a fazer, há sempre tanto a fazer E a mão que não para de falar E meus livros de poesia escondidos no fundo do armário E essa grosseira paralisia de cimento da sexta hora da manhã do dia seguinte e sempre o outro e o outro E todas as coisas a esperarem, confiantes, a nossa ineficácia de tortas criaturas-párias organicamente inexatas ou sinuosas ou estúpidas - o que hoje dá no mesmo - E nós entre todas as coisas desfeitas ou pior - tanto pior! - jamais realizadas, como sonhos de meninos pobres, o que também somos, perto da fome fria das máquinas que não computam a nossa umidade latejante as veias inchadas de sangue – pronto a ser derramado quente na calçada – a nossa graça neste extinto instante os pés rachados de areia – suas veias conduzindo ao centro errante – o sexo como visão de filhos – frutos do calor uterino que a fé abraça – mais uma vez, a nossa graça o nosso medo o nosso pavor



que coisa mais linda esse poema, Ingrid!