59. Largada...59
Há que se começar por algum lugar
Largo este ano como quem: Deixa cair o pano ou o peso de uma... maçã, sobre os ombros Levanta o menor halter do conjunto Não tem mais deveres ou relógios Sonha qualquer tempo e qualquer lugar Pula da corda-bamba Ama a um homem que começa com a letra... Como o pé da fruta deixa cair a tangerina mordida quando é hora Largo de mão todos os dedos – não direi medos, pra não errar – e os servos do terror que moram na minha cabeça de névoa E os helicópteros humanos E as ciladas autoengendradas [Eu sou a arquiteta, o horóscopo lembra] Vou fazer uma palhoça E chorar toda a palha queimada E livrar até os livramentos esquecidos Porque se afastar do liberto é às vezes uma prisão necessária dos sentidos Vou soltar os dias como um pássaro que anda à minha frente no caminho da chuva [E começa quando começo, meio temeroso, antes de saltar o voo ansiado] E confundir as mesmas canções, cantar as mesmas histórias, mirar os mesmos olhos como se fossem outros [e são e são] Largo o ano como um plano que nunca existiu – e desaparece à luz do dia sem sabermos se é fumaça ou mistério ou aplauso, diferenças imprestáveis invisíveis imprecisas


